Incríveis Mulheres
05-03-2018

São incontáveis as lutas e as vitórias na desconstrução de estereótipos que, ao longo da história, colocam a mulher numa relação de subordinação aos homens. A revolução sexual e a emancipação feminina tiveram um papel fundamental nas mudanças que vêm ocorrendo no casamento, no amor e na sexualidade ao longo da modernidade resultando em transformações radicais na vida e, principalmente, na intimidade das pessoas.

Fortalecidas pela esperança de um mundo melhor, as mulheres protagonizam tantas lutas pelo direito à educação dos filhos, pelo respeito à própria integridade física e psicológica, pelo direito à vida desde a concepção até a morte natural, pela punição dos agressores de mulheres, entre muitos outros entraves sociais que limitam a qualidade da nossa existência. Mesmo assim, pesquisas apontam que a cada 4 minutos uma mulher é agredida em seu próprio lar, sendo que em 70% dos casos o agressor é o companheiro ou marido, resultando em lesões corporais e danos psicológicos para toda a família e muitas vezes até a morte. Também é muito importante lembrar que inúmeras mulheres criam seus filhos sem apoio financeiro ou psicológico do pai da criança.

Entre vitórias e lutas constantes, a mulher moderna foi se fortalecendo e abrindo também mais espaço na estrutura do poder. No entanto, em meio a uma enchente de transformações emergiu o mito da beleza ideal, colocando a mulher como beldade, imobilizando sua força e vinculando seu valor pessoal ao poder da beleza física. Se observarmos bem, veremos que na cultura contemporânea, os holofotes são voltados somente para pessoas com atitudes exibicionistas e para os corpos modificados em programas editores de imagem. Os corpos e as vozes naturais perderam completamente o direito de aparecer na mídia e nos relacionamentos afetivo-sexuais. O corpo performático, domesticado pelas armadilhas de poder, substituiu o corpo real, o corpo da subjetividade. Atualmente, o corpo sem brilho, sem voz própria, fraco de opinião e com a subjetividade capturada pelo sistema não mais se representa. Completamente empobrecido de si, transita com roupas caras, maquiagem do tipo máscara e reproduz falas esvaziadas de conteúdo.

É preciso resistir e se reinventar. Nós, mulheres, estamos fartas de significações sem conteúdo. A mulher é de carne, osso e asas muitas vezes adormecidas. É chegada a hora de romper com as ações performáticas e ousar encontrar o viço no corpo real, o gosto pela vida, passar a habitar o corpo da experiência. Guiar-se pelos próprios sentidos, deixar emergir as próprias opiniões, sensações e exalar autenticidade. Vamos transformar as regras da tirania dos padrões de beleza atual e acordar as nossas asas nesse universo de possibilidades. Emanamos luz e potência da vida quando ouvimos a nossa própria voz. Tenha muito orgulho de nós.

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