Depressão e Preconceito
07-09-2017

A sociedade moderna, que estimula o modelo de vida perfeita, elevou a pressão e a competição a tal condição insuportável que já conseguimos mensurar a falência das relações interpessoais. Corpos solitários na multidão.

O evidente aumento da depressão vem transbordando na vida das pessoas, afetando profundamente o humor, o comportamento, o pensamento, ou seja, a personalidade. Desta forma, ansiedades, obsessões e fobias passam a comandar ocotidiano. A família, geralmente sem saber o que está acontecendo, assume uma postura complacente e cede às necessidades dos sintomas do doente torcendo para que esses “caprichos”diminuam com o tempo.

A saúde mental é refém do preconceito e da desinformação. Frases como “Deixe essa bobagem de depressão” e “Vai fazer algo que passa”, acentuam ainda mais a sensação de inadequação e de fracasso num mundo com ideais inatingíveis. Algumas pessoas do círculo social chegam até a atribuir a causa à falta de empenho e de fé. Apesar de tantos sintomas, a pessoa que está doente ainda tenta esconder as dificuldades por medo de ser julgado e rejeitado. Sente-se inútil, fraco para lidar com as atividades do cotidiano, somado à baixa autoestima e a desesperança que contaminam sua visão de futuro. Nesta situação cada vez mais insuportável, recorre ao isolamento. Vivencia ondas fortíssimas de sintomas que comprometem a qualidade de seus pensamentos e comportamentos. Geralmente por preconceito, coloca muitos obstáculos para buscar ajuda profissional.

Sob este fogo cruzado de acusações e decepções a pessoa que está depressiva passa a se perguntar se merece viver. Muitas vezes, imaginando estar numa situação sem saída e de tamanha vergonha, iniciam os pensamentos suicidas, podendo evoluir para planejamento do ato eaté mesmo chegar à concretização da própria morte. Isso me faz lembrar aquela frase preconceituosa “Quem ameaça não faz”. Não é verdade, são as fases da doença que, sem tratamento adequado, pode evoluir para o suicídio.

Escrevo este artigo para colaborar e esclarecer sobre a importância da busca de tratamento apropriado para a doença mental. Tomara que um dia, logo que aparecerem os primeiros sintomas, as pessoas os reconheçam e entendam a necessidade do acompanhamento psicológico. Como psicoterapeuta, meu trabalho é identificar, no paciente, todos os pontos vulneráveis do seu funcionamento na vida (relacionamentos com outros e consigo mesmo), ajuda-lo a desmanchar padrões que não servem mais (originados na infância) e a moldar novas respostas mais atualizadas ao contexto da vida. Um vínculo confiável e competente para o êxito do tratamento é imprescindível. Outro fator importante é fazer o tratamento até o final para evitar recaídas. A doença psicossomática é o caminho que nos força a aprender o que estamos precisando para prosseguir de bem com a gente mesmo.

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