Amor e Vínculos na Atualidade
07-06-2017

Grandes e interessantes mudanças acontecem nos relacionamentos atuais. No cenário, uma economia global que requer produtividade e mobilidade, acelerando e ditando a velocidade das nossas vidas. Segundo as palavras de Zygmunt Bauman, sociólogo que desnuda as fragilidades dos vínculos atuais, as conexões que caracterizam as relações humanas nos últimos tempos são laços mal feitos para prontamente serem desfeitos sem motivo “justificável”. Isso nos leva a pensar: Estamos mais independentes ou mais imaturos?

Embora acostumados a testemunhar o modelo de amor romântico, já nos deparamos com inúmeras mudanças que, muitas vezes, podem causar estranhamento. De uma maneira geral, os relacionamentos modernos são marcados pela flexibilidade, importando viver o prazer do momento e o adiamento ou a exclusão do casamento e/ou, ainda, da maternidade. Também podem ser relacionamento afetivo ou sexual ou ainda afetivo-sexual. E ainda, heteroafetivo, homoafetivo ou os dois. São tantas as possibilidades. Geralmente as decisões são tomadas antes mesmo da compreensão.

As amizades coloridas, quando há intimidade sexual sem compromisso, ocorrem com maior facilidade. Acada dia, mais garotas buscam se relacionar afetiva e/ou sexualmente com garotas geralmente, por se sentirem mais queridas e compreendidas nesta parceria. Confesso que, entre elas, há um clima de decepção comos garotos, e alegam que o mais importante é a qualidade do encontro e não o sexo da pessoa.

Também, os relacionamentos amorosos estão marcados pela informalidade e, mesmo os mais sólidos, não apresentam a necessidade das pessoas dividirem a mesma moradia e rotina. E isso não quer dizer que há consentimento para a infidelidade. A princípio podemos até pensar que tal proposta deixaria o casal mais inseguro, mas não é o que acontece. Parece que é apenas a constatação de que morar juntos nunca foi garantia para a fidelidade. Em sua publicação, Conjugalidades em Mudanças, Sofia Aboim, especialista em Sociologia da Família, ressalta que, nos últimos dez anos, duplicou o número de casais que moram juntos antes do casamento.

Quando vejo tal mudança em curso, penso na transformação do papel da mulher nos últimos 40 anos, de como ela expandiu seus recursos e possibilidades sem, contudo, deixar as responsabilidades da casa, filhos e marido. E ainda assim, não era garantida a fidelidade. O homem, ao longo do tempo, foi assistindo o desenvolvimento da mulher e talvez, tentando manter seu lugar de provedor e chefe do lar, ao mesmo tempo em que percebia que as coisas tinham mudado, mas não entendendo ainda como se situaria nesta nova relação. Acho este momento muito interessante, pois estamos vivenciando o desmanchar daquele tipo de união e buscando novas formas relacionais que agradem aos dois. Um tipo de união construída aos poucos, no dia a dia, sem a obrigação imposta por papéis fixos. Há muita experimentação e descarte até que novas formas relacionais que funcionem melhor se configurem.

Hoje, a sociedade de consumo impõe estilos de vida que demandam muito esforço. Os ambientes competitivos, velozes e descartáveis moldam nossas personalidades, nos levando a ter foco no que agrega, ou seja, no trabalho, na formação acadêmica, na autonomia e em relacionamentos descomplicados e autossustentáveis. Há uma pressão para que os parceiros contribuam de forma igualitária para a continuidade da relação. A qualidade é o que justificará a continuidade daquela história ou sua finalização. Mas toda esta desconstrução implica na invenção de seu próprio caminho baseado na singularidade dos seus desejos e necessidades. Não há mais uma vida “garantida” e previsível. O que vivemos é um tempo líquido de inúmeras possibilidades para uma vida real.

Será que esta tendência é sinal de imaturidade e de incapacidade para assumir uma relação como muitos afirmam, ou será o caminho para ter uma vida onde haja mais espaço para a realização pessoal sem ter que atender tanto as expectativas da sociedade e de sucumbir em relações que não fazem mais sentido? Acho que a proposta de “um não ser do outro” abre a possibilidade para o diálogo, a reflexão e uma melhor compreensão. Para mim, a felicidade do amor está justamente na proposta de liberdade, autonomia e profunda alegria pelos momentos juntos. Como é pra você?

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