Erotização da infância
06-07-2016

O que você sente quando um adulto enche a vida de uma menina de maquiagem, sapatos com salto, sutiã e músicas com letras e coreografias inadequadas pelo forte conteúdo erótico e de apelo sexual? Talvez, você não se dê conta, mas, com certeza, já viu várias propagandas, dos mais variados produtos, que utilizam crianças nos papéis de adultos. Porém, você já parou para pensar no efeito que isso tem na infância? Provavelmente já estamos até acostumados a ver isso, mas não nos damos conta dos prejuízos físicos e psicológicos que causam. Você provavelmente já presenciou um homem manifestando o desejo por alguma garota, olhando para o corpo dela com interesse muito além do normal, como se não precisasse respeitá-la, tratando-a como um objeto de estimulação sexual. O que pensa sobre isso? A exposição dos pequenos a conteúdos inapropriados para sua faixa etária pode criar o que é chamado de erotização infantil. Tudo na vida tem o seu tempo e querer avançar fases em uma velocidade muito rápida é danoso, sem dúvida, e a principal vítima é a criança.

A adultização precoce da menina determina como deve se vestir, maquiar, pentear e do modo como ela deve agir e ser. Quando a criança se sente pressionada a agir e a se comportar como adultos, ela cede para agradar às expectativas, pois antes mesmo de desenvolver sua própria identidade, entende que só terá valor perante a sociedade quando estiver dentro de uma série de padrões de beleza e sensualidade estipulado pela mesma. Desta forma, o posicionamento dos pais diante das pressões e apelações é muito importante para protegê-la. A mídia faz com que indivíduos mirins assistam e queiram fazer ou vestir o que está na “moda”, para lucrar com todo o tipo de venda. Tem muito dinheiro por traz disso.

Existe uma banalização deste comportamento no sentido que a sociedade passa a aceitar isso como normal e adequado. Nas escolas, os uniformes femininos são mais justos e são complementados pelas meninas com muita maquiagem, unhas pintadas e cabelos arrumados. Elas são muito elogiadas pelos colegas e professores, enquanto que as garotas que não se colocam desta forma são consideradas desleixadas. Atualmente, até as roupas e acessórios de bebês do sexo feminino são erotizados. A hipersexualizaçãode garotas novas é ainda mais comprovada, principalmente através da pornografia. Nos sites de conteúdo adulto, os termos mais procurados são “novinha” e “teen”.

O Think Olga é uma ONG dedicada ao empoderamento feminino por meio de informação e criou uma campanha #primeiroassédio, o qual mulheres foram incentivadas a compartilhar a história da primeira vez que foram vítimas de assédio. Em apenas quatro dias 82 mil tweets compartilharam suas experiências de terem sofrido assédio sexual por adulto quando estavam ainda na infância.

É muito importante que existam as campanhas sobre o direito das meninas e das mulheres, pois quando elas leem sobre isso nas redes sociais é que começam a pensar sobre as próprias experiências.

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