Plantando conscientização
08-08-2015

Entender os fatos sempre estimulou a minha curiosidade. No livro, O Ponto de Mutação, Fritjof Capra defende que a humanidade está em uma fase de transição, ou seja, partindo de uma consciência individual (Yang) para uma consciência mais coletiva (Yin), mas equilibrada. Prova disso são os movimentos pela sustentabilidade no planeta que tem crescido gradativamente ao longo das últimas décadas. No livro, pessoas conversam durante uma visita à ilha de Saint Michel, na França. Em certo momento, um senador diz que precisa ver as partes para entender o todo, que não consegue descrever uma árvore sem falar do tronco, dos galhos, raízes e folhas. É quando a cientista coloca que enxerga a árvore em função de suas interdependências. Alega que a árvore e a terra e o céu realizam trocas sazonais, ligando a Terra ao Universo. Mas ao mesmo tempo a árvore é o habitat dos pássaros, dando a eles seus frutos e suas sementes que gerarão novas árvores. A árvore, para tirar água do solo depende dos fungos que vivem em suas raízes. O fungo precisa da raiz e a raiz precisa do fungo. A isso chamamos de interdependência.
Entender a teia da vida, as relações de causalidade, a interdependência dos homens entre si, com a sociedade e com a natureza é mais do que cultura geral, é consciência, abertura de mente e lucidez. É também uma questão de sobrevivência, segundo Eugenio Mussak.

Quando pensamos o ser humano neste contexto de interdependência, custa-nos acreditar nos comportamentos que envolvem dinheiro, poder, violência, controle do ecossistema, exploração predatória dos recursos naturais e monopólio dos recursos-chave. Não precisa ser especialista pra saber o quanto estas ações levam à extinção do planeta ou à desigualdade social.

Um aspecto muito importante é a questão da biotecnologia no que diz respeito a sementes transgênicas. A introdução de transgênicos na natureza expõe nossa biodiversidade a sérios riscos, como a perda ou alteração do patrimônio genético de nossas plantas e sementes. Além disso, empresas gigantes da biotecnologia como a Monsanto, Dow e Bayer criaram uma economia escravista com base em seus químicos tóxicos e monopólios de sementes que estão levando milhares de agricultores ao suicídio. A semente transgênica também é inseticida e, quando um inseto se alimenta de suas folhas, este não sobrevive. Isso faz com que as mutações genéticas tornem as outras gerações mais resistentes, criando super bactérias. Desta forma, os agricultores necessitam comprar e aplicar cada vez mais Round Up e outros herbicidas químicos tornando-se cada vez mais endividados e intoxicados. Nós, consumidores, cada vez mais com a saúde em risco.

Muitas ações para a sustentabilidade da vida no planeta acontecem no sentido de conscientizar a população sobre a qualidade do alimento. É certo que estamos longe da perfeição, mas acredito que gente do bem influencia gente do bem. Temos avançado muito graças aos esforços de pessoas que “remam o barco”. Você precisa se posicionar.

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