O amor no século XXI
 
 

Ritmos, sons e letras evocam emoções e aproximam pessoas. Quem não ouve repetidamente a mesma música romântica quando apaixonado? Ou então, uma canção especial para embalar a dor de cotovelo?

Fico pensando nesse mistério que faz com que a gente se encante por outra pessoa de um jeito tão especial fazendo com que o nosso pensamento permaneça nela grande parte do dia. Na alegria que provoca quando nos sentimos olhados com amor. Quando a vida se torna pura magia e tudo mais perde a importância. Uma intimidade instantânea que faz com que nossos sonhos mais secretos sejam compartilhados e as miudezas das nossas vidas sejam ouvidas com interesse. Um desejo intenso de proximidade, como se tudo o que tivessem vivido anteriormente acontecera somente para terem se encontrado. Você já se apaixonou? Tudo de bom.

Será que este clima se mantém mesmo depois de algum tempo juntos?

Qual o caminho a ser seguido por quem pretende estabelecer um elo sentimental estável, duradouro e enriquecedor? Prestou atenção nos detalhes que fizeram a paixão acontecer? Sintonia é fundamental. Quando os dois têm os mesmos gostos, facilita muito manter uma convivência harmônica e o interesse de um pela companhia do outro. O respeito pelas necessidades individuais é fundamental. Aposto numa equação: quanto mais seu parceiro/a for quem gosta de ser, mais feliz estará ao seu lado e menos vulnerável estará o relacionamento.

Com o ritmo de vida acelerado, momentos difíceis no trabalho, problemas familiares e todas as questões que atravessam nossas vidas é muito fácil descuidar da relação. Mas posso afirmar que o maior inimigo do relacionamento é justamente a perda da possibilidade da conversa franca e a expressão de seus reais sentimentos. Também acrescento a impossibilidade de ser ouvido com consideração e respeito. Com o tempo, um tende a negligenciar as necessidades do outro. Então, a distância emocional vai acontecendo e aquela sintonia vai se perdendo. Se eu pudesse fazer uma recomendação importante para a manutenção do clima de intimidade emocional, diria que manter a possibilidade do diálogo sem preconceitos e sem medo de críticas negativas é importante.

Atualmente não há mais lugar para um relacionamento baseado no controle e no ciúme. O desenvolvimento de uma relação possessiva acaba sendo uma forma que homens ou mulheres usam para tentar, por meio do controle, fabricar uma segurança necessária para conseguir manter-se na relação. Este comportamento não é motivado por amor ao outro, muito pelo contrário. O ciúme destaca principalmente aspectos psicológicos que denotam baixa auto-estima, sentimento de inadequação, angústia, insegurança, e que pode ser tratado.

Século XXI: um amor de parceria

Jean Yves Leloup em seu livro "Uma Arte de Amar para nossos Tempos" sugere a indagação: "É preciso encontrar uma bela pessoa para amar ou é preciso encontrar a capacidade de amar em todas as circunstâncias? Temos facilidade para amar o outro no seu tempo de harmonia. Quando realiza. Quando progride. Quando faz o que a gente quer. Quando não fala coisas que não queremos ouvir a nosso respeito. Quando não nos incomoda com suas necessidades. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. A tolerância, a criatividade e o bom humor também contribuem muito para a relação.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer. A palavra de ordem é parceria. Estamos transformando o amor possessivo, dominador, pelo amor de troca, de comunhão ou de aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. Quanto mais o indivíduo for responsável por suas escolhas pessoais, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

As pessoas deveriam experimentar positivamente sua solidão para vivenciarem um diálogo interno com sua essência e descobrir sua força pessoal, que só pode ser encontrada nele mesmo, e não no outro.

Acredito que o amor de duas pessoas inteiras é a busca do relacionamento saudável no século XXI.

 

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