Educar crianças
 
 

A maioria de nós pais leva a parentalidade a sério, mas na atualidade, a falta de tempo constitui um problema para a convivência familiar. O que nos parecia tão simples torna-se ainda muito mais complexo pela falta de tempo e um grande número de afazeres. Tomar decisões para educar às vezes não é tão simples, principalmente quando se trata de recompensar ou punir os filhos. Como fazer para que o filho aja de uma maneira ao invés de outra? A fórmula não é mágica, tampouco é vendida a poção. O segredo é uma velha conhecida: a integração familiar.
Não é preciso ser um especialista para afirmar que a relação entre pais e filhos hoje não é mais a mesma de antigamente. E não foi só isso que mudou: o mundo já não é mais o mesmo. Valores e conceitos que até então eram considerados sólidos e intransponíveis, hoje são relativos e sujeitos à visão de mundo e aos fatos de cada um. E é nesse contexto que as crianças e adolescentes estão crescendo.
A criança e o adolescente atualmente sentem que seus pais não têm tempo para eles. Aqui aproveito para esclarecer que o tempo não precisa ser enorme, mas o suficiente para que os filhos compartilhem suas histórias, descobertas, sentimentos, dúvidas e medos ao longo do crescimento. No tempo dos pais deve caber o interesse pelo cotidiano dos filhos e não só a cobrança por resultados. Procurar saber sobre as amizades, o conteúdo dos jogos de videogame que ele treina repetidamente, comparecer às apresentações e reuniões na escola. O jovem em formação precisa sentir que os pais gostam de sua presença, se interessam e se preocupam com seu bem-estar para assim promover o fortalecimento de auto-estima e das competências.

ESCUTAR NEM SEMPRE É OUVIR

Quando assistimos as conseqüências desastrosas dos casos de violência causadas por uma criança ou adolescente contra alguém de seu convívio ou contra si mesmo, tenho a certeza de que este jovem não foi ouvido.
Ter um filho do tipo “fraco” ou vitima de bullying, ou homossexual ou do tipo indeciso deixa os pais desorientados, com sentimentos negativos, envergonhados e adiam a busca de ajuda. Sentem-se muito incomodados em imaginar o que os outros vão pensar pelo fato deles terem um filho “fracassado”. Se eles ficam assim, imagine o jovem que se sente o patinho feio problemático da família. A busca de um profissional capacitado é muito importante para identificar as causas da situação e conduzir as ações a fim de evitar um mal ainda maior como a depressão ou a violência. O vínculo familiar precisa ser fortalecido com base nas verdades e não em aparências.

EDUCAR CRIANÇAS É PAPEL DA ESCOLA OU DOS PAIS?

O mesmo fato é capaz de provocar interpretações muito diferentes. Outro dia uma mãe queixava-se que seu filho vinha aprendendo na escola tudo o que ela não queria. Disse que ele aprendeu a falar palavrões, a agir com certa rebeldia, a desobedecer as suas ordens, a não dar importância aos estudos. Tudo isso alegou ser conseqüência das más companhias e da falta de controle dos professores sobre os alunos. Já as opiniões de diretores e de professores apontaram para questões diferentes. Argumentaram que os pais não estão mais educando os filhos devido ao pouco tempo que ficam em casa, salientaram que não têm conhecimento sobre os tipos de jogos que a criançada curte nos videogames, que não explicam sobre os valores da vida como a importância do respeito e da consideração, cedendo a todos os desejos de consumo e inclusive aos maus hábitos alimentares. Ressaltaram que os pais não educam por ser trabalhoso e também porque não querem desgastar a relação no pouco tempo que tem com os filhos.
Afinal, quem está com a razão? É a escola que dá chances para os alunos aprenderem o que não deveriam ou os pais que não educam seus filhos? Talvez o maior prejuízo da modernidade aponte para uma questão educacional mais ampla e assim pode ser resumida: logramos o desenvolvimento sofisticado da ciência e tecnologia sem uma correspondente evolução psíquica, ética e espiritual. Quem está responsável por ajudar os jovens a fazerem a travessia da margem da ignorância para a margem do conhecimento e do autoconhecimento? Assistimos a falência da ética, a crescente violência e injustiça social, o aumento do índice de depressão e suicídio entre as crianças e os jovens.
Estamos percebendo que no mundo atual eles não são educados apenas pela escola ou pelos pais. A televisão educa, a sociedade educa, os entretenimentos educam, entre tantos outros. Quando uma criança faz algo que não deveria fazer, a questão pode não estar diretamente ligada à escola ou à família, mas ambas as instituições tem a responsabilidade de insistir na educação e nas boas lições, cada uma à sua maneira.

 

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